Negocios

Trump diz que China estava 'nos matando com acordos comerciais injustos'

Venezuela, Caracas
Enterraron a dos hombres en una casa abandonada en Cali

WASHINGTON E PEQUIM – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que sua postura dura sobre o comportamento da China nos mercados globais beneficiará a economia americana, mesmo quando a China sinalizou que poderá retaliar segurando as vendas de produtos químicos conhecidos como terras raras (dos quais a indústria americana precisa para diversos setores de ponta, como aparelhos eletrônicos e máquinas militares).

Os rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) caíram nesta quarta-feira, com as notas de 30 anos se aproximando das mínimas recordes, diante de temores crescentes de uma desaceleração global e apostas de que o Federal Reserve terá que reduzir ainda mais os juros para conter os crescentes riscos de recessão.

Abalo no mercado: Entenda como movimento atípico nos títulos americanos levou o dólar a quase R$ 4

Trump disse a repórteres na Casa Branca que a reação do mercado era esperada, mas permaneceu confiante na força da economia americana.

— Em última análise, vai subir muito mais do que nunca, porque a China era como uma âncora para nós. A China estava nos matando com acordo comerciais injustos — afirmou Trump.

Leia mais: Donald Trump cobra do Banco Central americano mais um corte de juros

A guerra comercial entre EUA e China se intensificou acentuadamente nos últimos dias depois que os EUA rotulou a China como manipuladora cambial pela primeira vez desde 1994, e disse que vai impor tarifas de 10% sobre os 300 bilhões de dólares restantes das importações chinesas, a partir de 1º de setembro.

Os movimentos afetaram os mercados financeiros e alimentaram preocupações sobre uma recessão global.

PUBLICIDADE Análise:   Disputa comercial pode entrar em uma nova etapa: guerra cambial

Autoridades da Casa Branca dizem que ainda esperam que os negociadores chineses viajem a Washington em setembro para negociações, e que as tarifas anunciadas recentemente ainda possam ser evitadas se as duas maiores economias do mundo avançarem em um acordo comercial.

Mas as esperanças de um acordo estão diminuindo. O Goldman Sachs disse na terça-feira que não espera mais que os EUA e a China cheguem a um acordo antes da eleição presidencial de novembro de 2020, dada a “linha mais dura” que está sendo utilizada por ambos os lados.

Guerra cambial? EUA classificam China como manipulador de câmbio pela 1ª vez em 25 anos. Saiba o que significa

Os mercados financeiros se acalmaram um pouco em meio a sinais de que a China não vai permitir que o iuan se desvalorize muito mais, depois de deixar que a moeda recuasse abaixo de 7 por dólar pela primeira vez em mais de uma década.

Economia: Trump minimiza temor com guerra comercial e diz que investimentos estão fortes nos EUA

Mas a China ainda tem algumas cartas na manga.

A associação de terras raras da China disse nesta quarta-feira que vai apoiar contramedidas na crescente disputa comercial com os Estados Unidos e acusou Washington de usar o “comportamento de intimidar o comércio” para reprimir o desenvolvimento da China.

PUBLICIDADE A Associação da Indústria de Terras Raras da China emitiu comunicado depois de uma reunião especial de trabalho na segunda-feira para discutir a “orientação” dada pelo presidente chinês, Xi Jinping, durante sua visita a uma instalação de terras raras em Jiangxi em maio.

A visita de Xi alimentou temores de que a China usará seu domínio sobre a produção de terras raras, um grupo de 17 elementos químicos valorizados por seu uso em equipamentos eletrônicos e militares, como arma na intensificação da guerra comercial, embora nenhuma restrição de oferta tenha sido anunciada até agora.

Mais: Dólar opera em alta nesta quarta, aproximando-se dos R$ 4

BC da China  nega rumores Enquanto isso, o banco central da China negou nesta quarta-feira rumores que estavam circulando on-line sobre sua suposta decisão de cortar as taxas referenciais de depósito e de empréstimo a partir de 10 de agosto, dizendo que pediu à polícia que investigue.

O Banco do Povo da China fez a declaração em sua conta oficial de mídia social, mas não deu outros detalhes.

Mais cedo na quarta-feira, três bancos centrais regionais — Índia, Nova Zelândia e Tailândia — cortaram suas taxas de juros em uma tentativa de estimular o crescimento.

PUBLICIDADE Segundo artigo na CNN, Pequim poderia gerar um pânico no mercado de títulos ao se desfazer de alguns dos papéis de títulos do Tesouro americano (o valor total é de US$ 1,1 trilhão) que detém.

Isso faria o preço dos títulos despencar, aumentando as taxas de juros e consequentemente os custos dos empréstimos.

Mas a medida, segundo analistas, poderia sair pela culatra e afetar a própria economia chinesa, o que a torna desaconselhável. “Claramente não é a melhor ferramenta disponível”, disse ao site Brad Setser, do Conselho de Relações Exteriores ex-economista do Tesouro dos EUA.

As moedas de mercados emergentes eliminaram os ganhos de 2019, e as ações podem ir pelo mesmo caminho em breve diante do menor apetite por risco de investidores em meio a uma nova escalada da guerra comercial.

O índice de moedas MSCI já acumula queda de 0,5% este ano, revertendo o ganho anual de 2,2% há apenas uma semana. O índice de ações mostra alta inferior a 0,4%. Mesmo durante o pior momento da onda vendedora em maio, as ações ainda acumulavam alta de 2% no ano.

Moedas emergentes perdem com disputa Com a turbulência recorrente, apenas quatro das 24 moedas de países em desenvolvimento ainda mostram valorização, em comparação com 11 na última terça-feira, antes de o Federal Reserve reduzir os juros pela primeira vez em mais de uma década. Sete índices de ações usados como referência registram perdas em comparação com quatro índices há duas semanas, depois que a Coreia do Sul, Polônia e Indonésia eliminaram os ganhos.

PUBLICIDADE O apelo de ativos de risco diminuiu depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou mais tarifas e autoridades chinesas permitiram que o yuan rompesse o nível psicológico de 7 por dólar. A mensagem hawkish do Federal Reserve ao reduzir os juros também pesou sobre o humor dos mercados.

Com poucas perspectivas de uma solução rápida para a disputa comercial, investidores e analistas dizem que uma recuperação dos ativos de mercados emergentes não deve ocorrer em breve. Estrategistas do Morgan Stanley, que retiraram sua recomendação de compra de moedas de mercados emergentes após a decisão do Fed, agora recomendam que os clientes permaneçam na defensiva. Já o Citigroup diz que é hora de reduzir as apostas arriscadas em países em desenvolvimento. O Société Générale descreve o movimento atual como uma “fase de derretimento”.

“Os eventos até agora desta semana apenas aumentaram nossa convicção de que os investidores vão olhar para o risco de seus portfólios”, escreveram estrategistas do Morgan Stanley, liderados por James Lord, em nota na terça-feira. “A aversão ao risco chegou ao extremo, mas recomendamos reduzir qualquer aposta em ativos de risco, já que é improvável que o crescimento global e preocupações comerciais mostrem uma melhora em breve.”

PUBLICIDADE Viu isso? Abalo nas Bolsas globais leva ricaços a perderem US$ 117 bilhões em apenas um dia

Para Per Hammarlund, estrategista-chefe de mercados emergentes da SEB, em Estocolmo, a escalada da tensão comercial marca uma “deterioração acentuada” das perspectivas para os mercados emergentes. Ele diz que o peso mexicano, o real, a lira turca e o rand sul-africano estão entre as moedas mais vulneráveis.

— A reação dos mercados provavelmente será de um período prolongado de fraqueza, tanto em moedas quanto em ações de mercados emergentes, à medida que investidores se ajustam às projeções de crescimento mais baixo do PIB e dos lucros — disse Hammarlund.